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03
mar
10

Alguns Porquês do Desenho na Sociedadepor Henrique de França (2008)

A profundidade formal e expressiva que o desenho pode alcançar. O desenho, cuja inerente qualidade monocromática traz à sua visualidade um caráter de registro puro e direto de um pensamento atrelado a uma representação, se serve de traços sólidos que concretizam, sem relativismos esteticamente conceituais no tocante ao alcance de ideais gráficos academicamente condicionados, uma melhor adaptação ao sentido de que a arte serve para transpor ao observador um relato de realidades a serem intelectualmente trabalhadas, absorvidas e passadas adiante em forma de ação conscienciosa e/ou factual.

Por meio do desenho, o objetivo é tratado de forma mais crua, desvendando-se no próprio traço, na proximidade da mão e do olhar do artista sobre a superfície, sendo trabalhado e retrabalhado a partir de uma vivência física que pode ser revisitada pelo observador em cada um de seus passos, já que é impossibilitada a retirada de quaisquer de suas fases ou procedimentos do resultado final.

Tematicamente falando, quando o olhar social entra em ação, o assunto a ser tratado pelo desenho ganha um valor documental que muito frequentemente é velado em outras formas de expressão artística. No desenho, o tema torna-se mais significativo, alvo de apreciação quase único e, portanto, tem os seus domínios revelados de forma abertamente envolvente. Um meio de representação que pressupõe a abordagem de um lado inquietante da realidade, voltado para a ironia, para a sátira e para o que é posto por baixo da sociedade; consequentemente, como forma de crítica a algo corrente em seu meio, a fim de denunciar e transmitir a idéia, através da arte, de que algo está errado.

O desenho social se imbui da possibilidade de obter uma série de analogias, alegorias e símbolos a serem tomados a sério e de forma reflexiva, numa busca de uma imagem essencial que signifique o olhar, a memória e a consciência.

Um artista voltado para o desenho tem, pois, uma série de questões e conceitos a serem considerados e graficamente elaborados e articulados a fim de estabelecer um acervo representacional pertinente e cognitivo quanto ao seu próprio tempo.

19
fev
10

Pequena Narrativa sobre a Origem do “Em Obras” por Juliana Kase

No ano de 2008 eu, Hélio Bartsch, Juan Castro, José Roberto Vazquez e Luiz Felipe Dib fizemos uma exposição coletiva na Passagem subterrânea da Av. Consolação, São Paulo. Pensando no que expor, o lugar nos colocou o problema, não se trata de um espaço convencional de exposições, um lugar fechado, um cubo branco. A passagem é um corredor, uma rua com teto e paredes. Tratamos do assunto em conversas coletivas, mas cada um buscou sua solução individual.

Em 2009 Hélio e Juan enviaram projetos para expor individualmente na Passagem. Eu um pouco desanimada com o resultado do meu trabalho de 2008, a não percepção a longo prazo pelos passantes apressados, não enviei projeto. Os dois conseguiram um mês de exposição cada, mas queriam que mais pessoas participassem e ficaram talvez por meses falando comigo sobre o assunto. Realmente não tinha desejo de enfrentar o local novamente, mas ao mesmo tempo ele era um desafio, ficou me incomodando por dias. Em um deles, liguei para o Hélio apressadamente, era isso: realizar um trabalho mutante, que todos os dias fosse diferente, um desenho realizado por vários, que se revezariam todos os dias preenchendo a parede e depois apagariam da mesma maneira a parede. Pensando em retrocesso, o interesse de mostrar o processo do trabalho de arte e da ocupação efêmera de uma exposição já estava no vídeo da exposição de 2008.

Quando marcamos a primeira reunião, o Helio e Juan chegaram com mais 15 pessoas e o projeto cresceu. Um participante trouxe outro e a exposição será realizada em março e abril de 2010 com 30 artistas, que são amigos, colegas e desconhecidos entre si. Todos com produções individuais bem distintas das outras, vamos dialogar através da linguagem mais primordial da arte, o desenho.




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